Psicoterapia · Livros · Reflexões

Palavras que cuidam, histórias que acompanham.

Sou Rutty Steinberg, psicóloga e escritora. Aqui você encontra minhas conversas terapêuticas, livros, crônicas e poesias sobre recomeços, espiritualidade e a arte de viver em movimento.

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Capa de Leatrice: Sol de Inverno Também Aquece

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Capa de Desvio de rota

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“Uma leitura leve, mas que trata de assuntos de extrema importância: a vida continua surpreendente na maturidade.”

★★★★★ Máfera, sobre Leatrice

“Uma enciclopédia de lições desta e de outras vidas, assim é o livro Leatrice: Sol de inverno também aquece.”

★★★★★ Robison Sá
Conversas terapêuticas

Perdido, confuso ou sozinho? Vamos conversar.

Há momentos em que as circunstâncias nos deixam sem chão. Uma conversa acolhedora pode ser a ponte para reencontrar o próprio caminho.

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Ponte sobre um rio
Poesias

Passagem

Num minuto de tempo indefinido o passado se abriu.
E no mistério escuro da separação, recolheu seus pertences.
Deixou no seu lugar um espaço que brincava de real e de ilusão,
Transcorrendo entre o presente e quase futuro,
Enquanto a solidão das perguntas apressadas
Chorava mansamente tristezas de adeus.
E às angústias, magicamente,
Aliaram-se os restos das paixões,
Avisando aos desavisados sobre a transformação.
Ah, vida! Que te quero viva, despida...
Esqueci das tuas ilusões.
Fiquei só.
Vesti um prazer que doeu,
Mas, despedindo-me, abri mais portas.
Dancei, aprendi novos passos.
E aí, descansei abraçada ao silêncio,
Envolvida pelas nossas verdades,
Ou possibilidades,
Longe das desgastantes idas e vindas.

Devaneios

Devaneios, alheios ao belo sol da tarde,
Sorrateiros, bêbedos de imaginação,
Transmutam-se em pequenos jogos e grandes ideias,
Que desafiam regras, maquinando, povoando solidões,
Gerando sementes no infinito.
Uma espécie de digestão de pensamentos orgânicos,
De emoções que caminham perdidas nas avenidas de um ser,
Deixa na boca um gosto de tanto-faz,
Que vai crescendo no seu sabor, regado pelos novos sentidos,
Significando, deliciando-se em novas hierarquias,
Sentindo o prazer da mudança, dançando possibilidades,
Abraçando importâncias, namorando urgências,
E novamente se reorganizando,
Encontrando a paz no transitório.

(Poesia selecionada no Concurso Nacional de Poesia Livre 2019 - Novos Poetas)

Momentos

Num desses momentos em que as crianças ficam sós,
Encontrei-me um dia com a Natureza,
E me perguntando sobre os mistérios que pressentia,
Mergulhei na paz que a chuva desenhava na minha janela.
Descobri então palavras que vinham de mim.
Depois, as ouvi sendo lidas com emoção.
Percebi que alguém me havia entendido mais do que eu mesma.
Permiti,
Cansada e quase desistente,
Numa primeira poesia,
Que eu fosse compreendida, simplesmente...
Hoje,
Em meio a batalhas pouco infantis,
A chuva ainda me faz companhia.
Lembra-me,
Sei lá eu porque,
De sérias brincadeiras,
Dos sonhos, das dores e dos amores,
Dos medos e das alegrias.
Talvez carências...
Talvez crianças...

Bom Dia, Mundo!

Cá estou,
Novamente com o velho receio de ser aquilo que já sou.
E que eternamente venho sendo.
Mas, enfim...
Com um certo sorriso de vitória vou exercitando o domínio das paixões.
Pelas palavras, pela música,
Percebo nos velhos sentidos algo de novo.

Sensações

Sedução, possibilidades, sensações.
Um voo de borboletas no estômago,
Asas coladas de medo,
Presas na rejeição?
Talvez na omissão, nas condições,
Rodopiando com as emoções desgastantes,
Já viciadas,
Repletas de vácuo.
Como sempre,
Algumas luzes ainda se acendem,
Em pontos que abrem caminhos antes impensáveis...
Aludindo a expectativas de novos rumos,
Talvez nem tão esperados.
Outro ciclo de retorno à essência.
Desta vez, como uma mandala,
Que dolorosa explode a força de sua expansão,
Colorida, harmônica, simétrica,
E se manifesta,
Simplesmente,
Desde um centro glorioso.

Encontro

Gosto de te ver lá na praia,
Quando em geral é final de tarde,
E teus olhos também me veem.
Nesse encontro da natureza e do humano,
Com um prazer tímido e ousado,
Percebo em nós um desejo de chegar mais perto.
A inquietação move um sorriso entre maroto e sedutor,
Brinco com sensações e fantasias,
E tento assimilar novas respostas.
Quem sabe posso abrir novas questões?

Constatação

Há um novo que brota, que surge,
Imenso...
Criando no vazio o sublime,
Trocando, expandindo,
E tornando o todo um.
A arte não se ilude com o tempo,
Nele permanece colorida e serena.
Eterna e infinita, ela pertence à Natureza.
É uma força que aflora de dentro,
E preenche o espaço com o que resta das paixões:
Novos caminhos, mais respostas.
Cada vez que não se morre, se vive mais forte!

Solidão

Primeiro me faço chorar,
Depois me faço rir,
E refletida no espelho,
Paro diante do belo e do feio.
Sonho com os sonhos,
Imagino verdades,
E temo a solidão,
Tão companheira.
Às vezes fico assustada.
Aí durmo profundamente,
Acordada,
E finjo que já morri.
Eu hoje dormi a vida até meio-dia,
Debaixo de um cobertor laranja,
Pensando estar sob o sol.
Era tudo tão real que não fazia diferença acordar.
Por isso, delirei meus sonhos enquanto resolvia alguns impasses.
Quando abri os olhos, tive a sensação de que as coisas podem ser diferentes...

Mensagem

A separação e a espera doem quando o orgulho duvida e não compreende
Que o homem, no mistério e no escuro da solidão,
Pode perder o vôo do tempo,
E confundir o real com a ilusão.
Mas quando a paz e o silêncio gozam no risco da liberdade,
A beleza inspira a fé que traz o infinito.
E nessa promessa de possibilidades a alma dança antes de escolher,
Procurando o ritmo no espírito,
Dando e recebendo, criando sentidos,
E jogando sementes para cuidá-las com amor.
Quando você puder descobrir um desejo de ter esperança,
Seu coração vai poder dar forma àquilo que já está aí.
Mas, somente quando puder acreditar nesse desejo,
Poderá enxergar sua criação.

Do Silêncio

De que medo me fala você?
Da imperfeição?
Do olhar que vem de fora?
Da mão que não afaga tua cabeça?
Não, nada disso, falo do medo do silêncio.
Escondido entre pássaros insistentes que cantam nas cidades,
Formando uma orquestra com martelos de obras, roncos de carros,
E burburinhos da multidão.
Nesse caso...
Melhor nada dizer,
Para ser mais um canto onde o silêncio possa se abrigar.

Mandala

Sedução, possibilidades, sensações.
Um vôo de borboletas no estômago,
Asas coladas de medo,
Presas na rejeição,
Na omissão, nas condições,
Rodopiando com as emoções desgastantes,
Já viciadas,
Repletas de vácuo.
Como sempre,
Algumas luzes ainda se acendem,
Em pontos que abrem caminhos antes impensáveis...
Aludindo a expectativas de novos rumos,
Talvez nem tão esperados.
Outro ciclo de retorno à essência,
Desta vez como uma mandala,
Que dolorosa explode a força de sua expansão,
Colorida, harmônica, simétrica,
E se manifesta,
Simplesmente,
Desde um centro glorioso.

Chuva

Num desses momentos em que as crianças ficam sós,
Encontrei-me um dia com a Natureza,
E me perguntando sobre os mistérios que pressentia,
Mergulhei na paz que a chuva desenhava na minha janela.
Descobri então palavras que vinham de dentro,
E, depois, as ouvi serem lidas com emoção:
Alguém me havia entendido mais do que eu mesma.
Permiti,
Numa primeira poesia,
que eu fosse compreendida simplesmente...
Hoje,
A chuva ainda me faz companhia.
Lembra-me, sei lá eu porque,
De sérias brincadeiras,
De sonhos,
De dores,
De amores,
De medos,
E de alegrias.,
Talvez carências...
Talvez crianças...